esporte e cultura

Pesquisar
Close this search box.

O último apito de 2025: São Paulo conhece seus campeões municipais

14/01/2026

Foram meses de estrada, sol forte, barro no tênis e arquibancada improvisada. Oitavas disputadas no detalhe, quartas que pediram fôlego, semifinais que testaram nervo e coração. Uma temporada longa, intensa, espalhada pelos quatro cantos da cidade. E, como toda boa história do futebol de várzea, ela precisava de um palco à altura do que foi construído.

No dia 6 de dezembro de 2025, os Jogos da Cidade de São Paulo chegaram ao seu capítulo final. As Finais Municipais de Futebol de Campo Feminino e Masculino colocaram frente a frente as equipes que sobreviveram a todas as fases, carregando não só resultado, mas trajetória. O endereço era simbólico: a Arena Mercado Livre Pacaembu. A entrada, gratuita. O clima era de decisão absoluta.

Ali não era apenas mais um jogo. Era o fechamento de um ciclo inteiro. Para quem chegou até ali, cada lance trazia junto as memórias das fases anteriores, das viagens de bairro em bairro, das eliminações duras e das classificações suadas. O relógio marcava 16h quando o futebol feminino abriu a tarde. Às 18h, o masculino assumiu o protagonismo. Dois jogos, duas finais, um mesmo sentimento: chegar até aqui já dizia muito.

A partir dali, o que vinha pela frente era o que o futebol tem de mais honesto. Noventa minutos, pênaltis, silêncio, grito, alívio. Sem volta. Sem amanhã. Era o último apito de uma temporada que atravessou São Paulo inteira.


Final Feminina – Brasília F.C. 5  x 0 Kebrada

Quando o jogo encaixa e vira afirmação

Às 16h, a bola rolou para a final feminina. E, desde o início, ficou claro que o Brasília F.C. estava disposto a transformar a Arena em território próprio. O primeiro tempo foi intenso, organizado e, acima de tudo, eficiente. Taligol mostrou  por que seu nome já circula com respeito nas rodas do futebol feminino da cidade. Baratinha completou a sinfonia. Quando o intervalo chegou, o placar já dizia muito: 5 a 0.

No segundo tempo, o ritmo seguiu alto, mas sem novos gols. E aqui vale um destaque que diz muito sobre o espírito do jogo: Torres, goleira do Kebrada, segurou o que pôde, evitou um placar ainda maior e mostrou que final também se joga com dignidade, mesmo quando o roteiro não ajuda.

 O apito final confirmou o que o campo já tinha anunciado: Brasília F.C. campeão municipal, com autoridade e futebol coletivo.


Final Masculina – Guaraú Vive F.C. 1 (3)  x (5) 1 A.A. Sem Brincadeira F.C.

Quando a decisão pede paciência… e coragem

Às 18h, o clima mudou. A luz baixou, a Arena Mercado Livre Pacaembu ganhou outro tom e a final masculina começou daquele jeito clássico de jogo grande: estudo, cuidado e poucos riscos. Até que, no primeiro chute realmente perigoso, veio o golaço. Um desses que quebram o silêncio da arquibancada e mudam o humor do jogo.

Depois disso, a partida ficou mais travada, mais tensa, mais emocional. O Guaraú Vive buscou, insistiu e encontrou o empate com Diogo, em um lance que levantou a galera e empurrou o jogo para um novo capítulo. O tempo normal terminou em 1 a 1 e a decisão foi para onde o coração costuma falhar: os pênaltis.

Ali, o futebol mostrou sua face mais crua. Batida firme, defesa decisiva, erro que pesa e acerto que vira memória eterna. O A.A. Sem Brincadeira F.C. foi mais preciso nas cobranças e venceu por 5 a 3, levantando a taça municipal em uma final decidida no detalhe.


Conclusão: mais que finais, um símbolo de cidade

O que ficou da tarde e da noite no Pacaembu foi mais do que dois troféus erguidos. Ficou a imagem de atletas entrando em campo com o nome da quebrada no peito. Ficou a certeza de que o futebol de várzea não pede licença: ele ocupa, transforma e representa.

As Finais Municipais 2025 mostraram que o futebol feminino cresce com força, identidade e talento. Mostraram que o futebol masculino segue sendo disputa, estratégia e nervo à flor da pele. E, principalmente, reforçaram o papel dos Jogos da Cidade como espaço de encontro, respeito e pertencimento.

O ano se encerra com aplausos, histórias para contar e nomes gravados na memória da cidade.
E se 2025 foi assim, fica o aviso no ar, em tom de teaser: 2026 já está aquecendo no banco.
Porque enquanto houver bola rolando em São Paulo, sempre vai ter mais um capítulo esperando para ser escrito.